Youtubers fazem releituras de sucessos do Jota Quest em projeto

Objetivo é transformar sucessos da banda mineira e unir gerações diferentes em torno das diversas formas de produzir música atualmente

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Divulgação

O pop soul do Jota Quest se transformou em música eletrônica, folk, reggae e até rap em versões realizadas pelos youtubers Mussoumano, Mari Nolasco, Gabriel Elias e Jão. Batizado de Jota Quest Collab, o projeto foi lançado no último dia 6, no YouTube Space Rio em uma parceria entre a gigante de instrumentos Roland e YouTube.

A proposta visa aproximar músicos de gerações diferentes, em trocas de experiências e conquistas de novos públicos.

Segundo Rogério Flausino, dialogar com gente que nem sequer havia nascido quando a banda foi formada é uma experiência bastante diferente. O músico, que está na ativa há mais de duas décadas, conta inclusive que essa troca é importante para bandas dos anos 90 entenderem as transformações do mercado.

— É uma troca. A gente se formou em uma época que existia uma maneira só de trabalhar: lançava o disco, divulgava, soltava música de trabalho, turnê, outro disco. Havia poucas alternativas. Hoje não: você pode usar diversas plataformas para atingir o sucesso. Os cantores youtubers são frutos disso. Na nossa época era impossível pensar assim. Então, o projeto foi uma troca de experiências generalizada, porque também podemos passar para esses jovens dicas de como não só fazer sucesso, mas mantê-lo. E eles mostraram pra nós como podemos explorar melhor as redes e o engajamento que isso proporciona.

Novas gerações

Com 20 anos, Mari Nolasco veio ao mundo dois anos após o disco de estreia da banda sair. Mas isso não foi impeditivo para que ela tivesse contato com a obra do Jota Quest durante a infância e adolescência, já que os pais dela eram fãs dos mineiros.

Única mulher convidada, ela conta que fez uma versão intimista, gravada apenas com voz e violão, no quarto. E apesar do Jota ser uma banda que aposta em grandes arranjos e produções de estúdio cheia de detalhes, a releitura ganhou aprovação automática dos músicos do quinteto.

— Eles foram receptivos e mexeram muito pouco na versão. Gostaria que isso virasse até um lance maior. Adoraria que não ficasse restrito aos 50 vips que viram a apresentação do Rio. É algo para ser grande.

Jão, por outro lado, reconhece que é arriscado mexer em um clássico por dois motivos: desagradar os fãs ou até mesmo a banda. E ele foi ousado, apostando em uma roupagem eletrônica para Amor Maior.

— Rola o receio da rejeição, mas a colaboração trouxe frutos que não esperava. E depois, vendo a recepção dos fãs também, ficou mais claro que fui pro caminho certo.

Flausino e os companheiros de banda, no entanto, dizem que um dos motivos que os levaram a aceitar o convite para o projeto era exatamente a curiosidade de ver suas composições desconstruídas dos arranjos originais. Além do eletrônico e do folk, as versões foram repaginadas em reggae e rap.

— É interessante ver as nossas criações ganhar novos pontos de vista, tão pessoais. Há quem tenha ciúmes e não goste que mexam em suas músicas, mas para nós é algo vivo, que pode ser mutável sim.

O projeto ainda não tem datas definidas para novas apresentações. As quatro versões podem ser ouvidas e vistas pelo YouTube.